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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ensinando Pondé a pegar mulher


por Rodrigo Smile, em seu blog

E aí, Pondé, firmão?...

Eu vou te ajudar a pegar mulher nesse post, malander. Se você seguir a minha dica, você e os seus “jovens de direita liberal”, vão começar a se dar bem, sem ser babaquinha.

Eu sou o Smile, aka Smilo, Smele e todas as variáveis possíveis disso aí.

A gente nunca se cruzou por aí, e nem vai, os seus rolês não são muito a minha cara, saca? Outra galera. Faculdade então, vixe maria. Nem Tel Aviv nem em Nikiti City, a minha foi pay-per-view.

Mas dá nada, tem um monte de gente que se forma aí e não fala coisa com coisa, né?

Bom, eu sou aquilo que você definiria de “esquerda festiva”. Lí Marx, Foucault, Bakunin, a porra toda. Sou de esquerda. Festiva, eu deixo por sua conta. Ser de esquerda nesse país não tem muito a se comemorar. O que vocês chamam de esquerda, o PT e tudo o mais, eu chamaria de neoliberalismo com um ajinomoto social. Nada mais.

No fim, todos vocês, filósofos de direita e governantes de esquerda sentam junto na mesma mesa, enquanto eu e meus amigos tamo pegando metrô superlotado pra fazer o nosso.

E aí você vai cair de costas: Sou formado em Administração. Técnico, é verdade, mas frequentei faculdade de Administração e a teoria (velha, horrenda) é a mesma. Eu preciso comer, e nesse livre mercado que você tanto admira, ou você aprende o que é “time management”, “targeting”, ou passa fome.

Não vi vagas lá atrás “Procura-se pessoas com conhecimentos de Anarcocoletivismo, Thoreau, Proudhon, inglês intermediário e Pacote Office para rotinas de escritório e organização de uma nova sociedade livre de amarras do capital”.

Mas não importa. Já me apresentei, e o negócio aqui não é falar de mim. É falar de você, mermão.

Tá embaçado ganhar like no Tinder da vida, fio? Bico seco, só no Xvídeos? Achei que você era casado com uma psicanalista… Mas não importa. Você fala por um séquito de fãs, seguidores. Entendo esse lance direitista de culto à personalidade. Aliás, cá entre nós, lance humano, não? A esquerda também o faz. Então o recado vai a você e ao esprit de corps que você conclama falando aos seus.

Vou te falar que lendo o seu texto aqui, pude capturar alguns vacilos. Muitos, aliás. E pelo que eu já lí de vossa pessoa (sim, eu tenho alguns conhecidos que são seus fãs), tem toda uma razão para que seus pupilos sejam uns pega-ninguém, enquanto o resto do mundo se beija.

Vamos lá?


VOCÊ, DE DIREITA, É LIMITADO

Sem massagem, fião. Limitado ao que te cerca, a sua realidade. Que pessoa que vai se relacionar com um cabra que nem você que sequer tem empatia aos que te cercam?

O jovem liberal que você apadrinha no seu texto, é essencialmente um egoísta, e é formado para ser um. Não é o baseado e nem o discurso do Che Guevara que faz eu pegar mais mulher que você, cara. É a sua incapacidade de aceitar o baseado, o Che, os discursos humanistas, tudo.

A capacidade de aceitar, dialogar, coexistir. Isso faz de você um limitado.

Não seria o fato que não existe “direita festiva” porque não tem como existir uma direita que não seja egoísta e truculenta em sua essência, Pondé?

Como que um “jovem liberal” vai conquistar uma mulher com o papo de “meu pai lutou pra eu ter uma vida confortável” ou “tem é que meter mais polícia na rua, lugar de bandido é no caixão!”

Eu até hoje nunca vi uma mulher se empolgar com um papo covardão desse.

Existe? Mas é claro que deve existir, tem louco pra tudo. Mas se um homem direitista é egoísta, porque raios a mulher direitista também não seria? E eles vão se juntar pra serem egoístas em conjunto? Que lógica de relacionamento é essa, cara?

A limitação da realidade do mundo na visão direitista liberal endurece qualquer ser humano. Muito mais que qualquer luta social. Essa, ao contrário que você prega, liberta, e faz a essência de cada um aflorar – e de lá pode sair uma alma iluminada, ou um pequeno Lênin, tudo bem – mas se negar a reconhecer outras vieses no mundo, amigo, isso só endurece, deixa feio, rancoroso, tudo.

O discurso contrário se aplica, similar a um reaça, somente um capa-preta fã do Partidão e ideais mortos comunistas, pode acreditar. A diferença é que a esquerda se ramificou e se encontrou, enquanto sua direita continua com a velha broxada de “família é homem e mulher” e outras aberrações. Não precisa acreditar em moi. Saia por aí e veja (não a Veja).

E rapaz, nada mais broxante que um homem que não entende a alma feminina. E o pior, nem quer entender.

O que nos leva a…


VOCÊ, DE DIREITA, É MACHISTA

Seu texto é a prova cabal disso, Pondé.

Texto que cita “mulheres donas do seu corpo” (aspas mantidas), “sem álcool e conversa as mulheres não iriam querer transar”, “mulher que batalha contra a opressão tenta desesperadamente ser feia”.

Mermão, cá entre nós, você não conhece mulher não. Nem seus pupilos liberais.

Então eu vou te falar algo que nenhum dos seus textos idolatrados parece abordar:


MULHER É IGUAL AO HOMEM

Até é feio, eu, pé-de-chinelo, falar isso pra um cara todo diplomado e reverenciado igual você. Mas é essa a real, nego. Onde já se viu alguém escrever em aspas, de uma maneira jocosa, debochada, que uma mulher ser dona do seu corpo é um xaveco esquerdista?

Só por isso você e seus fãs deveriam terminar seus dias na punheta, de castigo.

Mas eu sou mais iluminado que você, e vou te dar uma dica.

Titio, as mulheres querem o mesmo que você, cara!

Juro procê. Não precisa dar pinga pra mulher querer dar pra você não (se bem que no seu caso, vai saber…). Mulher goza, mulher curte sacanagem, mulher curte tudo o que nós homens curtimos. O mundo é outro, a Amélia tá morta e enterrada.

Uma sociedade igualitária de direitos, cara, faz a mulher ser livre pra escolher e não como o seu texto sugere, ser escolhida.

E é aí que mora o medo, confessa pro Smilo aqui, confessa! Você e seu fã-clube ostentam discursos e posturas que pertencem ao século passado.

Quer falar de Darwinismo? Vamos falar da Seleção Natural.

Você, liberal, trata a mulher como alienígena, produto, posse.
Eu, petralha, trato como par.
Você defende o patriarcado.
Eu defendo a igualdade.

Quem você acha que a mulher de hoje, livre, vai querer dividir um motel ou um papo gostoso no bar, meu chapa?

Vocês, dinossauros liberais, só vão ter a internet pra reclamar. Bem feito.

E digo mais: Ninguém em sã consciência deve “pagar de esquerda” para pegar mulher, como você sugere no seu texto. Falar de liberdade, disso e daquilo. A máscara cai.

E quando você menos esperar, vai ter um Smile tratando sua mulher como se deve tratar, e pra você, só vai restar esse texto machista magoado.

Mulher não gosta de economia? Mulher não gosta de papo-cabeça? Sério, cumpadi, vai viver, pega teu diploma, enfia no seu cachimbo e fuma.

Sei que pra você o termo “igual” soa infantil, pouco analisado, mas deixa suas teses de lado e encara isso como um toque de amigo. Machismo de direita ou de esquerda, não importa, é o passo mais certo pra uma vida de xaveco furado e punheta.


VOCÊ, DE DIREITA, NÃO AMA


Broxante, frio, calculista, já foi dito tudo. Mas vamos abordar esse fator muito mais profundo na alma humana, o amor.

O amor é algo muito mais abrangente que o pacote flores-sms-jantar-motel-namoro-casamento. Muito mais. Pra uma pessoa se relacionar com outra, é preciso não só amor a essa pessoa, mas amor ao mundo que ela vive, afinal, as relações não são somente dentro de casa, certo? Há um mundo que nos cerca.

E aí vem a charada que você tem o dever de explicar aos seus súditos: Como amar o mundo que vivemos? Como aceitar o mundo que vivemos, suas diferenças, sendo um individualista liberal? Essa eu deixo pra você responder.

Do meu lado, lado esquerdalha, eu deixo uma frase da esquerda, e outra da direita, igual aquele ~grande~ pupilo seu, o Rodrigo Constantino, faz. Com a diferença que eu não escrevo feito um mongreloid “se você tivesse lido meu livro e meu blog, saberia”.

Vamos sacar o que é o amor para cada lado:

ESQUERDA: “O verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor.”

DIREITA: “Em todas as circunstâncias da vida, eu gostaria de ter uma pulseirinha vip, que me assegurasse abrigo contra intempéries, distância do povo e alguém para pagar minhas contas”

ESQUERDA: “Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”

DIREITA: “Este [o povo brasileiro] é o povo mais covarde, imbecil e subserviente do universo.”

ESQUERDA: “Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida.”

DIREITA: “Antigamente o homossexualismo era proibido no Brasil. Depois passou a ser tolerado. Hoje é aceito como coisa normal. Eu vou-me embora antes que passe a ser obrigatório.”

ESQUERDA: “O homem deve ser livre. O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo, e pode mesmo existir até quando não se é livre. E no entanto ele é em si mesmo a expressão mais elevada do que houver de mais livre em todas as gamas do sentimento humano. É preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer.”

DIREITA: “Falar mal das pessoas é muito mais gratificante do que falar bem. Eu, se pudesse, só falaria mal.”

Acho que só por essas frases podemos concluir que se tem algum culpado da direita ter um carisma de copo d’água, além de seus pensadores medíocres, é a sua ideologia mais medíocre.

Você e os seus tem todo o direito de refutar o viés romântico da esquerda, hippie, vazio, name it. Mas definitivamente, não podem de maneira alguma, reinvidicar nada, pois o discurso liberal não aborda o amor de nenhuma forma.

Ou talvez, sendo condescendente, o amor próprio. A todo custo.

Você Pondé, no alto de sua respeitabilidade entre os seus, deveria apenas reproduzir o discurso que eu ouvi por anos e anos por aí em salas de aula de administração, marketing, etc.: “Fique rico, e o resto é consequência”.

Afinal, é a mais pura verdade na vida de um liberal. Mínima interferência do Estado, para não atrapalhar seu progresso pessoal.

Concluindo: Pra você pegar alguém, você precisa não só se amar. Precisa amar muito mais que seu ego.

Anotou? Anota aí então, porque não acabou.


VOCÊ, DE DIREITA, NÃO TEM NAIPE

Saca o significado do termo “naipe”, Pondé?... Estilo próprio, charme, originalidade? Então, filhão, cêis não tem.

Vamos começar por vossa senhoria. Cachimbo, truta? Sério mesmo? 2014, e você posando de CACHIMBO, sentado em sua biblioteca particular? Difícil ganhar like no Tinder assim, hein?

Mas OK, você fala pelos seus, então analisemo-os:

CAMISA PÓLO DE GRIFE: Me chame do que quiser, mas ver um camarada pagando de camisa pólo com cavalinho, eu já sei que é um zé. Imagina uma garota olhando pra esse fera e pensando “uau, ele é tão original, igual a todos os homens que estão aqui na faculdade, vou dar uma chance pra ele me mostrar que ele é diferente, mesmo vestido de uniforme de coxa”.

CABELINHO DE SALÃO: Tá com a camisa pólo-coxa, vem com aquele cabelinho ajeitadinho da mamãe. De ladinho, pra ficar bem bonitinho, todo alinhadinho. Letra E do Teste de Macho. Sem mais.

MALHADINHO #OSS: Leitor da MEN’S HEALTH, passa mais tempo malhando e postando foto dos músculos e da marmitinha de batata doce com frango grelhado. Acha animal sair na mão quando tem a chance de mostrar pro mundo o Jiu-Jitsu que sabe, porque se tiver que sentar com alguém pra debater, sabe que nesse departamento perde.

CARRO DO ANO: A SUV não pode faltar no kit jovem de direita. Papai que deu, ou tá pagando em suaves prestações. Merece, né? Livre mercado é isso aí, paga quem pode, inveja quem não. Então ele paga de bem material, afinal, o que resta quando não tem conteúdo intelectual?

Isso só pra citar algumas características dos seus leitores e fãs.

Eles se reproduzem no seu jeito, mas, naipe de pegar mulher sem um puto no bolso, barba por fazer, roupa largada, só com a sua idéia, sua essência? Vem viver a realidade da esquerda festiva, Pondé! Quero ver sem usar uniforme de comédia se isso dá certo.

E quando a gente leva isso pro meio acadêmico, salvo exceções que tem dos dois lados, vai ver o naipe terno-e-gravata-buscando-estágio dos seus fãs, vai. Eu tive lá, não é orelhada não. Uma turma que eu e mais uns 3 que vinham da periferia. Que esperavam ônibus após a aula. O restante, todo mundo devidamente uniformizado e já catequizado em seguir os mesmos passos de derrotado do pai.


CONCLUSÃO

Pondé, pondere.

Quer ensinar seus leitores (ou você mesmo, vai saber) a pegar mulher?

Simples: Pregue uma guinada pra esquerda um pouquinho. Pouquinho só, não vou pregar pra vocês mudarem seus ideais não. Cada qual com sua filosofia (ou falta dela).

Ou melhor ainda, sem lados, esquerda ou direita.

Seja apenas humano. Livre, tolerante, menos egoísta, menos padronizado.

A mulher pode ser o que ela quiser, ir tomar vinho barato e fumar um baseado com os meus broders, ou ir no shopping aproveitar a promoção na loja da Ralph Lauren com os seus fãs, não a coloque numa discussão como se ela fosse uma commodity.

Outra: Amor, amor, amor. Você viu recentemente pra onde a sua direita liberal tá querendo ir, uns em silêncio e outros com estardalhaço. Para caminhos mais broxantes, de ódio, horrível. Pro exército, pra repressão, pra uso da força. Saca, aqueles assassinos chiques? Então. Mas isso você também não deve curtir. Agora quem você tá doutrinando… É, a coisa tá feia.

Se seguir as dicas aqui com carinho, capaz de você ganhar um match.

Agora, com esse textinho aí, mermão, pega o papel toalha e a internet, porque a noite vai ser loooonga…

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