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sexta-feira, 9 de julho de 2010

A crise mundial acabou? (o caso double dip nos EUA)


Jeannine Aversa, Associated Press, de Washington
Valor Econômico - aqui

Crescem as preocupações de que a economia dos EUA esteja sob risco de escorregar num duplo mergulho recessivo (double dip recession, em inglês). Desemprego elevado, crise de endividamento na Europa, uma desaceleração na China, um mercado imobiliário cambaleante e ações em queda - tudo isso está pesando sobre a frágil recuperação americana.

Então, o que seria exatamente esse duplo mergulho recessivo?

Robert Hall tem uma ideia do "jeitão da coisa", porém não uma definição precisa. Ele é presidente do Birô Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês), uma comissão de acadêmicos que declara oficialmente o início e o fim das recessões.

Na opinião de Hall, um mergulho duplo em recessão é algo semelhante a uma recessão contínua pontuada por um período de crescimento, então seguido por um esfriamento ainda maior da economia. O NBER não fornece uma definição mais específica do que essa caracterização, diz Hall, professor da Universidade Stanford.

Em economês, Hall explica: "A ideia - hipotética, porque ainda não aconteceu - é que a atividade pode crescer durante um período, mas não o suficiente para completar um ciclo, depois cair novamente e, finalmente, subir acima de seu nível original, só então completando o ciclo".

Hall diz que o mais próximo que os EUA chegaram de um duplo mergulho desse tipo foi em 1980 e 1981. Mas o NBER concluiu que foram duas recessões distintas, embora estreitamente espaçadas - porém não "um duplo mergulho na recessão", diz.

Sung Won Sohn, professor na Universidade Estadual da Califórnia, discorda. Ele diz que as recessões consecutivas nos anos 80 se encaixam na sua definição de duplo mergulho recessivo: recessão seguida por curto período de crescimento, seguida por recessão.

Brian Bethune, economista do IHS Global Insight, tem uma visão semelhante à de Hall: trata-se de um período em que a economia encolhe, começa a crescer novamente e então encolhe novamente - durante pelo menos seis meses.

"Não há nenhuma fórmula matemática, é uma questão de interpretação", disse Bethune.

O NBER declarou que a economia entrou em recessão em dezembro de 2007. A instituição ainda não situou com precisão o fim da recessão. Em abril, ele disse que seria "prematuro" fazê-lo.

Muitos outros economistas dizem que a recessão terminou em junho do ano passado. A economia voltou a crescer no terceiro trimestre de 2009, após quatro trimestres consecutivos de declínios. Mais recentemente, a economia criou empregos em cada um dos cinco primeiros meses deste ano.

Ainda assim, as ameaças do exterior e domésticas à recuperação estão crescendo. São também crescentes os riscos de que a recuperação irá se dissipar. Os economistas dizem que as chances de isso acontecer permanece baixa, mas vêm registrando ligeiro crescimento desde poucos meses atrás. Os analistas estão diminuindo a ênfase de suas previsões de crescimento para o segundo semestre deste ano.

Para determinar o início e o fim de recessões, o NBER analisa os dados que compõem o PIB, além de renda, nível de emprego e atividade industrial. A comissão, com sede em Cambridge, Massachusetts, tende a levar um bom tempo para declarar que uma recessão começou ou terminou. O NBER anunciou em dezembro de 2008 que a recessão tinha efetivamente começado um ano antes: em dezembro de 2007. E declarou em julho de 2003 que a recessão de 2001 estava terminada. Tinha acabado 20 meses antes; em novembro de 2001.

Nos oito anos do presidente George W. Bush, os EUA entraram em duas recessões. A primeira começou em março de 2001 e terminou em novembro. A segunda começou em dezembro de 2007, seu fim depende da declaração do NBER.

O momento em que a decisão do NBER vier deve significar pouco para o cidadão americano comum, agora atravessando aos trancos e barrancos uma lenta recuperação econômica e um mercado de trabalho desaquecido.

Muitos vão continuar vivendo em dificuldades. O desemprego geralmente continua crescendo bem depois do fim de uma recessão. Após a recessão de 2001, por exemplo, o desemprego somente atingiu um pico em junho de 2003, ou seja, 19 meses depois.

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